Rodrigo Prior

Deu zebra no Safari urbano?

zebra_safari_urbano.jpgA moda das ações envolvendo bloggers acaba por gerar uma discussão interessante do ponto de vista ético. Não obstante do padrão “mais do mesmo” que vem se repetindo incessantemente pelas agência ditas criativas, o Safari Urbano surge como algo que parece transpor o limite da “cortesia voluntariosa”.

Convidar bloggers para um suntuoso passeio sortido de regalias que muitos deles não poderiam conferir por conta de seu padrão econômico, a troco de testarem um novo celular da marca patrocinadora do evento, pode soar como um “descompromisso” tão compromissado a ponto de exercer uma pressão psicológica sob seus ilustres convidados.

Obviamente, grandes anunciantes podem ser dar ao luxo de oferecer “mimos” desta natureza, no entanto, isso bate de frente com os valores éticos pregados por aqueles que querem firmar o universo dos blogs como mídia alternativa às tradicionais.

Mas, peraí. E onde fica o ROI (retorno do investimento) nessa história?

Ao questionar um dos idealizadores da ação, recebi algumas respostas que não acabaram por me convencer:

enloucrescendo @rodrigoprior só os artigos garantem que sua marca seja falada para um público gigante, por um formador de opinião. on e offline.

enloucrescendo @rodrigoprior ROI é medido pelas mais de 100 meções no Twitter, mais as centenas de fotos, e dezenas de artigos, sobre a ação e o celular

Primeiramente, a “garantia de que sua marca seja falada por um público gigante” é algo muito subjetivo. Quantas das pessoas que comentaram a ação realmente se interessaram pelo aparelho? Agora, falarmos de formação de opinião, principalmente quando o público alvo é o referido consumidor potencial do aparelho (que não custa nem um pouco barato, o que aumenta a seletividade na hora das influências para aquisição) torna-se um assunto delicado. Utilizar tal argumento chega a ser uma afronta à inteligência dessas pessoas.

É errôneo tenta resgatar conceitos antigos como o da formação de opinião para um ambiente onde existe abundância de informações e as pessoas possuem parâmetros sólidos o bastante para estabelecerem sozinhas seu ponto de vista sem a dependência de influência alheia. Logo, todo o contexto da ação (que pode ser facilmente pesquisada e encontrada através da própria Internet) certamente é passível de ser visto com olhos de descrédito.

Quanto a medir ROI, através do número de menções no Twitter, parece uma armadilha bem atraente.

Podemos observar centenas (ou até mesmo milhares) de pessoas discutindo a ação, ou qualquer outro assunto ou produto, porém, sem podermos afirmar qual seria o teor ou o nível de influência exercido por tal conversação do coletivo.

Este post é uma prova de que a fórmula “fale bem ou fala mal, mas fale de mim” não é válida quando o assunto envolve a intenção de divulgação de um determinado produto ou serviço para um público capaz de buscar as informações necessárias para chegarem a uma opinião independente das influências alheias.

Gostaria de conhecer outras opiniões e pontos de vista a respeito da questão, claro, mantendo uma discussão sadia e construtiva.

Conto com o bom senso de vocês.
:-)

27 comentários em “Deu zebra no Safari urbano?”

  1. Diegoon 07 abr 2008 at 10:34 am

    O mais interessante é que lendo no simviral sobre o “Safari Urbano” da LG para divulgalção do seu novo celular, encontramos afirmações como :

    “É bom deixar claro que tudo isso foi oferecido sem a obrigação de fazer posts ou menções ao produto ou marca.”

    “A estratégia é clara: utilizar formadores de opinião em redes sociais para gerar um retorno em buzz (comentários) para o produto.”

    Será que só eu notei que estas afimrações são meio que antagônicas ? E se os referidos bloggers não postassem uma única linha sobre o assunto, ou melhor, falassem das suas experiências mas sem citar, em nenhum momento, a LG e/ou o modelo do celular ?

    Seria simplesmente uma estratégia falida da LG ?

  2. "Felds" Lisciaon 07 abr 2008 at 11:15 am

    @Diego: Você não falaria?

    Acho que a LG, neste ponto, pensou muito bem. Todo ser humano tem a necessidade de comunicar o que lhe acontece.
    Conhece as pinturas rupestres?

    Mais sobre a minha opinião em http://www.simviral.com/2008/04/safari-urbano-para-o-celular-lg-viewty-faz-barulho-na-rede/#comment-15460

  3. "Felds" Lisciaon 07 abr 2008 at 11:30 am

    Este cometário pretendo deixar bem curto, só para sair da rotina:

    A Nokia fez algo parecido há um tempo atrás, apenas um pouco menos megalomaníaco. Está aqui a prova do crime:
    http://sp00.wordpress.com/2007/07/13/celulares-weee/

    Acho uma ação válida. São ações relativamente baratas para gigantes. Creio que não há exatamente como medir o boca-a-boca, apenas se está experimentando este tipo de ação. Mais barata, mais pessoal.

    Vejo como uma aposta. Para quem tem muito sobrando para apostar, é válido.

    Agora é só esperar pra ver o que isso vai fazer com a reputação dos blogs. Se esta ação será tratada como tal ou se os blogueiros provarem para o mundo que são “adolescentes com seus diários”.

    (Okay. Nem tão curto assim.)

  4. pipo calazanson 07 abr 2008 at 12:37 pm

    Rodrigo bom dia,

    Sou um dos organizadores do Safari Urbano e entendo o seu ponto de vista, mas gostaria de colocar um ponto complementar…

    Sem dúvida nenhuma, quando propomos uma ação como o safari, esperamos trazer retorno pra marca, contudo, é importante salientar o seguinte:

    Procuramos convidar blogueiros e flikrs com reputação no meio e não acredito que eles falariam bem do produto por que ganharam um celular ou por que passearam de helicoptero. Esta não foi a intensão. Queremos posts e reviews sérios e por isso chamamos pessoas que julgamos sérias e com uma reputação a zelar.

    Quisemos que estas pessoas testassem o produto e criamos uma experiência difente para esse teste, mas o objetivo é ter o input deles.

    Claro q esperamos que eles contem a ação, descrevam a experiencia, etc…mas não queremos comentários positivos do produto, queremos comentários reais. Esta foi simplesmente uma oportunidade que criamos para que o celular chegasse de maneira inusitada na mão de pessoas gabaritadas para dar sua sincera opinião.

    Não acredito que pessoas séria como a nata da blogosfera brasileira aceitem jaba! Tudo que um blogueiro tem é sua reputação.

    Mas de qualquer forma entendo que existe uma linha tenue e nós da ONE Digital e da DUDINKA estamos dispostos a nunca cruzá-la. Pois ao cruzá-la, nós também perderiamos a nossa credibilidade profissional, que levamos anos pra construir.

    Abração

  5. Julio Cardosoon 07 abr 2008 at 12:47 pm

    Pipo,

    Pra começar, seria legal o sr. usar o corretor ortográfico. Intenção, por favor. Fora demais erros de plural e concordância.
    Que papo para boi dormir: “Procuramos convidar blogueiros e flikrs com reputação no meio e não acredito que eles falariam bem do produto por que ganharam um celular ou por que passearam de helicoptero. Esta não foi a intensão. Queremos posts e reviews sérios e por isso chamamos pessoas que julgamos sérias e com uma reputação a zelar.”

  6. "Felds" Lisciaon 07 abr 2008 at 1:13 pm

    @Julio: Concordo que “Intensão” foi p#oda.
    Mas no geral o que ele disse faz muito sentido.

    A empresa com grana fez o que achou certo: algo para causar impacto.
    Os blogueiros fizeram o que acharam certo: aceitaram os mimos.

    Só não acho produtivo isso ter virado uma caça às bruxas da parte de quem tem mais a perder.

    Aconteceu, é fato, ponto. Agora só temos que torcer para quem participou ter maturidade.
    Vamos ver.

  7. Lou Martinson 07 abr 2008 at 1:16 pm

    Honestamente gostei da ação. Fugiu dos padrões “tradicionais” e até dos spams chatos e, só por isso, achei-a super válida. Só achei engraçado que a ação em si foi muito mais falada do que o celular… mas, ok, valeu a pena. A One Digital e a Dudinka se divulgaram legal.
    Quanto ao que o pipo disse, bem… não estamos num mundo cor de rosa, venhamos e convenhamos. “Nata da blogosfera” e expressões do tipo poderiam ser guardadas para o próximo brainstorm. É ao chefe dele que ele precisa convencer com isso, não a gente.
    E não foram exatamente pessoas sérias chamadas, foram pessoas com views o suficiente em seus blogs para fazerem a marca e ação atingirem um público maior.

    Enfim, gostei da ação. Realmente foi um jeito diferente de se chegar a um público que gosta de hypes, mas aidna não comprou um iphone sei lá porque.

    Ah, e até agora estou esperando um review decente do celular. Esteticamente ele é lindo, mas não é so de estética que vive um aparelho que foi divulgado entre uma galerinha ligada em tecnologia.

  8. Rodrigo Prioron 07 abr 2008 at 2:20 pm

    Na verdade, creio que o valor percebido em relação ao “mimo” é diretamente proporcional à disposição dos participantes a escrever algo positivo sobre o produto/marca.

    Utilizar a imersão do participante em um ambiente/atividade tecnicamente propício a excitá-lo e incentivá-lo acaba se tornando uma forma muito efetiva de incitá-los a realizar comentários positivos.

    Para mim, é aí que mora o perigo e o questionamento da credibilidade de ações como essa.

    Agora, concordo com a Lou Martins que termos como “nata da blogosfera” são um tanto quanto questionáveis, embora não seja esse o objetivo desse post.

  9. Ian.on 07 abr 2008 at 3:03 pm

    O perigo está ai, em comentários como a de Lou, dizendo coisas sem ter certeza…

    quando a pessoa (não sei se é mulher ou homem, pois seu sítio está fora do ar) Lou diz que não foram chamadas pessoas sérias, eu não sei o que responder. De fato, ela não deve conhecer o Nick Ellis, o Edney, Guilherme Valadares, Knuttz, Daniel, Lalai, Marisa Toma, Marco Gomes e tantos outros. Nem mesmo os seus trabalhos. E isso é ainda mais gritante quando ela diz que todos eles foram chamados por causa de suas audiências. Que eu saiba, muitos ali tem menos de 500 views diários.

    Mas, enfim, o pessoal tá muito mais preocupado em meter o pau na ação do que entendê-la.

    Enfm, este é uma parte do meu comentário…

    o resto vem quando eu não estiver trabalhando.

  10. Luis Henriqueon 07 abr 2008 at 3:08 pm

    Como já disse outrora lá no twitter, antes de tudo é necessário deixar claro que o produto divulgado tem um público alvo bem específico. Quiçá, formadores de opinião, que não precisam de opinião de terceiros para fundamentar suas escolhas — embora isso já tenha sido dito.

    Mas mais do que isso, me pergunto se os potenciais consumidores do produto foram alcançados. Que gerou um buzz e virou hype, é inquestionável — embora eu tenha suspeitas de hypes ‘provocados’, hype que é hype é auto-gerado, a Apple não precisou distribuir iPhones para uma dúzia de pessoas para babarem ovo e mundo inteiro falou dele.

    Ainda assim, hype e buzz não pagam contas. Ou, isso não vai proporcionar a LG um ROI amigável. O público alcançado em uma ação com esta (twitter-ers e flickers) são entusiastas de tecnologias que já conhecem muito bem gadgets, muita vezes antes de serem lançados, e já possuem aquele que seu bolso pode pagar.

    Por isso, concordo com o Rodrigo de que a ação não foi muito feliz e, a priori, não muito eficaz. Sinceramente, prefiro receber newsletter da sony style com os lançamentos do que ler pelo twitter as ‘maravilhas’ de ganhar um celular.

  11. Lou Martinson 07 abr 2008 at 3:27 pm

    Olá, Ian, tudo bom? Vou responder aqui e no seu blog para que fique tudo bem clarinho..

    Bem, sou uma menina, já que rolou dúvida, e sobre o blog, ele está no ar sim, acabei de entrar nele umas 5 vezes pelo blog do Rodrigo.

    Sobre seu comentário, tenho certeza de tudo que eu disse. Quando questionei o “pessoas sérias”, não desqualifiquei os blogueiros convidados, desqualifiquei o discurso vazio e sem sentido de um dos organizadores do evento.
    Sobre os nomes que você virou, conheço-os todos. Alguns acompanho o trabalho, outros não. Minha tristeza foi ver que alguns blogueiros mais conhecidos e respeitados não foram chamados, como o Bruno Alves (do BrPoint).

    Menos de 500 views/dia continua sendo um número alto considerando um cara que põe fotos no flickr… Quando falamos em mídias pequenas (sim, pequenas) como as mídias sociais, a grandeza no número de views é algo deveras relativo (se você atinge 10 pessoas que são de super interesse da marca, pode ser que a marca considere um público bom o suficiente para fazer uma ação) - veja, esse 10 foi uma suposição, ok?

    E, como você não entendeu o que eu disse, deixei claro que apoio a ação. Achei boa e criativa. Talvez fosse o caso de você reler o comentário, sem se atentar aos pontos que possam parecer ataque “pessoal”

  12. Ian.on 07 abr 2008 at 3:37 pm

    Lou, se o teu sítio for o http://www.mbox.blog.br/, ele está fora do ar para mim, via Flock e Firefox. E como existe o Lou Bega, imaginei que fosse homem… sorry.

    Os fotógrafos convidados (não blogueiros, mas flickrs), não possuem grande número de visitas. O foco dos convites foi muito mais relevância, aliada a especialidade (cada um conversa com um nicho de potenciais consumidores da marca). O Bruno Alves não foi chamado, mas o Mobilon, que considero um melhor resenhista de mobile, estava la.

    Eu percebi que você gostou da ação, mas seu argumento sobre a escolha dos blogueiros é inconsistente.

  13. Lou Martinson 07 abr 2008 at 4:53 pm

    Mas nem argumentei sobre isso. ¬¬

    E sobre o blog, algo muito estranho ocorre então. Aqui funciona belezinha via Firefox e via IE (blargh).

    “relevância, aliada a especialidade” = +- o que eu disse com “se você atinge 10 pessoas que são de super interesse da marca, pode ser que a marca considere um público bom o suficiente para fazer uma ação”.

    Ou seja, tudo certinho.

  14. Felipe Meyeron 07 abr 2008 at 6:12 pm

    Não sei se devia repetir isso, pois estou deixando pedaços desse comentário por todo lugar… Mas me incomoda essa resistência por parte dos blogueiros em deixar as coisas às claras. Novamente, parabéns aos idealizadores pela ação, foi fantástica. Mas é óbvio que, ao criarem toda essa “experiência”, se está incitando o blogueiro ao deslumbre, ao blogar sem pensar. A existência de tantos mimos, me desculpem, não pode simplesmente ser justificada com algo simples como melhorar a experiência. É, sim, um floreio da situação onde o blogueiro se volta às milhares de informações e sensações que são colocadas À frente dele e o que se perde é o foco no motivador da ação: o produto. Me paga um jantar, me dá um banho de cerveja, me leva pra casa e põe na cama com beijo de boa noite e historinha… Vou falar tudo de bom de você, mas isso nunca vai representar a minha experiência real com a sua pasta de dentes.

  15. Lari Herbston 08 abr 2008 at 8:03 am

    Vi como uma ação válida…

    Primeiro porque todas as grandes empresas realizam esse tipo de ação, seja com executivos, com consumidores potenciais, jornalistas, etc., e às vezes proporcianando muito mais coisas do que esse passeio. Isso é normal, e acontece no lançamento de qualquer produto de grande mercado.

    Segundo porque o celular estava dentro de um contexto, e não simplesmente como presente aos participantes.

    Terceiro porque considero muito bom a LG ter pensado nos blogueiros. Sempre reclamam que as grandes empresas não valorizam os blogs, e agora vários “atacam” uma das que mais investiu. Parabéns à LG.

    Quarto porque eu nunca tinha ouvido falar desse celular, até porque não gosto de celulares LG, mas conferi as fotos tiradas pelo aparelho (pelos bloggers) e realmente achei excelente a qualidade da imagem pra uma phone camera.

    Além disso, levantar a questão da ética e do post por obrigação (ou comprado) é também duvidar da responsabilidade dos bloggers que foram selecionados pra participar da ação.

    That’s it! ;)

  16. ricardoon 08 abr 2008 at 10:19 am

    Caros,

    O marketing tradicional perde a sua eficiência num processo contínuo faz décadas (o que são 4Ps hoje?). O marketing de relacionamento e uma nova abordagem da emergência de sua prática, o marketing de intenção, que é a onda do momento, são as novas armas dos publicitários. Ambas não são novidades e tudo começou a ser percebido de verdade no início da década de 80.

    O Luis Henrique disse por exemplo que a Apple não precisou fazer nada no caso do Iphone. Luis você está e não está certo. a Apple hoje não precisa tanto do marketing tradicional quanto os seus concorrentes mas um dia precisou. E não é por causa de um produto com excelência que a Apple tem em todos ou quase todos os usuários seus defensores mas sim por causa de propaganda tradicional iniciada com o famosos filme 1984. Antes disso a Apple era como outras dezenas de empresas de tecnologia tentando sobreviver. E também não é apenas porque o produto é bom que o boca-boca funciona (mas ajuda), na mesma década que a Apple lançava o famoso vídeo a Microsoft utilizava o Marketing tradicional para criar o boca-boca para um produto (Windows) muito inferior ao seu concorrente, OS2 (IBM). E isso acontece todos os dias…

    Na minha opinião - publicidade é hoje uma ciência de grande número de cenários e por conseqüência grande números de variáveis, felizes são aqueles que conseguem enxergá-los e traçam estratégias vencedoras e às vezes originais. Hoje em dia além de convivermos com a individualidade como nunca foi tratado em nenhum momento da nossa pequena história, temos que lidar com eficazes ferramentas de comunicação que atravessam, criam, manipulam e fomentam o instinto coletivo (clientes) e tudo isso disponível num clique de mouse, num clique do controle remoto, num clique de um mp3 e assim vai.

    A LG é uma multinacional, e é claro que ela está antenada para o que está acontecendo e deve ser por isso que contratou essa empresa de Buzz para proporcionar o evento. E vou te dizer uma coisa, evento esse que não tem nada de megalomaníaco como já foi citado e sim de profissionalismo. As empresas de Buzz fazem ou faziam até a pouco tempo atrás eventos chinfrins mesmo em São Paulo. Quase nada se compara com o que é realizado na gringa. Se esse evento é megalomaníaco videm então lançamentos de carros na Europa.

    Quem sabe estamos vivendo um novo capítulo do marketing de relacionamento no Brasil? Isso é bom porque realmente vamos saber quem são as empresas (agências) preparadas para realizar tal tarefa, por que nos últimos dois anos eu apenas vi, salvo uma exceção, agências que tirando o oportunismo e as vezes vontade, tentavam implementar tais projetos.

    Sobre as almas dos blogueiros eu sou do partido da extrema, ou seja, sou daqueles que para manter a imparcialidade não há porque existir jabá, mas já passou e estamos em outro modelo agora. Nesse novo modelo os blogueiros tentam se profissionalizar e digo profissionalizar = rentabilizar = remuneração vindo de algum lugar. É muito mais fácil achar um modelo de negócio parecido com o atual do que ficar testando links patrocinados e banner do buscapé. A iniciativa é válida mas ainda está longe de se ser a ideal. Ninguém liga para as publicidades do Jornal Nacional mesmo sabendo que durante a veiculação não pode fazer parte da edição do dia nenhuma matéria que faça referência negativa ao cliente que está pagando.

    Mesmo assim a rede é livre e é por isso que devemos brigar. Se um se vende aqui e outro ali pode ter certeza que tem gente fazendo e criando conteúdo melhores e sem compromisso em toda parte.

    Viva a revolução - the revolution will be posted!

  17. Ale Jungermannon 08 abr 2008 at 3:51 pm

    Como comentei no SimViral, a ação em si foi bacana, o lance de ser uma experiência diferente para os participantes é interessante também.

    O que me chama a atenção, contudo é o fato da ação ter ficado restrita à twittosfera e à blogosfera.

    Era para ser assim mesmo ou faltou alguma coisa?

    Abs

    Ale

    (*) Este aspecto faço questão de ressaltar, porque achei uma bola dentro da LG de não encanar se fossem falar mal (ou “não tão bem”), já que essa liberdade e diversidade de idéias e opiniões são uma das fortes características do meio.

  18. [...] assunto sobre a credibilidade dos editores dos blogs versus o fato de terem alguma “motivação” para escrever sobre determinado [...]

  19. Gilberto Pavoni Junioron 11 abr 2008 at 12:42 pm

    Isso é comum na relação entre empresas e jornalistas há décadas. No mesmo espaço de tempo, as discussões sobre ética nunca chegaram a um parecer final. Na minha experiência com isso, já q sou jornalista, acho justa a ação. Nem todos têm condições ou vontade de experimentar por vontade própria.
    O ROI da empresa é intangível, por mais que apresentem números. O objetivo é dado por alcançado muito mesmo na base do fale mal, mas falem de mim.
    Um exemplo prático. No lançamento do Classe A a Mercedes fez isso com jornalistas alemães. O carro capotou num teste de manobra arriscada. Precisava desviar rápido numa determinada velocidade. Chamava teste do alce maluco ou qq coisa assim. Era como se o bicho atravessasse a estrada de repente.
    Todos relataram o acontecido. A empresa soltou um comunicado oficial e isso foi dado como normal, já que a Mercedes se prontificou a sanar erros de projeto e manteve os jornalistas informados sobre isso.
    Para mim, é uma questão de caráter. Do ponto de vista do profissional (blogueiro ou jornalista).
    Do lado da empresa, o caso só complica qdo a amostra grátis tem subterfúgios de negociação de compra da opinião.
    ,
    .
    .
    gostei do blog, q não conhecia.

  20. Russellon 12 abr 2008 at 7:16 pm

    Fala, Prior.

    Cara, achei sensacional a discussão. Toda opinião é válida e melhor ainda se forem divergentes. Aliás, quanto mais polêmica melhor. Então, aí vai minha humílima…

    Embora no post em si não tenha nenhuma menção à marca, só nesse blog foi citado 11 vezes o nome da marca em questão. Não sou adepto do “falem mal, mas falem de mim”, mas parece que, ao menos comentários rolaram.

    O que parece falta de ética no mundo do Blog é tradicional e corriqueiro na mídia das agências. Cansei de ir a festas de mercado organizadas pelos veículos de comunicação. Nem por isso programei mais um veículo do que outro pelo fato de as festas serem melhores ou piores.

    Outro ponto que percebi é que me parece que algumas pessoas são incorruptíveis, mas só até que se chegue ao seu patamar financeiro. Ser humano é isso aí, cara. Na maioria das vezes a ética vai até certo ponto ($$$$), seja na blogosfera, ou em qualquer ambiente.

    Tudo bem, tudo tem limite e cada um enxerga esse limite em um determinado ponto. Mas ninguém está falando de cometer crimes. Me parece até uma certa tempestade numa tulipa de chopp.

    Como você mesmo me falou uma vez, o público de blog é formador de opinião e dificilmente se influencia esse tipo de internauta com um post. Os comentários estão aí para confirmar sua teoria.

    No mais, eu penso que publicar um post pago (ou publicar um post induzido por um “mimo”) é decisão pessoal e não deveria ser alvo de crítica. Eu, pessoalmente não citei o nome da marca. Só não citei porque não me chamaram para o tal Safari Urbano.

    Abraço.

    PS.: Já coloquei um link do teu blog no Câncer de Jack e vou usar esse post na aula de mídia II.

  21. José Brasil Paranhoson 14 abr 2008 at 11:33 am

    Sr. Prior…

    não tem nada a haver o que eu vou dizer… porém tem a haver com o seu blog…

    Link em vermelho, ‘tradicionalmente’ está ligado à link quebrado…

    sua intenção é que as pessoas não visitem os links ?

    pense nisto ! (que frescor…kkkkkkk)

  22. Rodrigo Prioron 14 abr 2008 at 12:25 pm

    José,

    Em relação aos links vermelhos, confesso que considero válida a sua posição. Porém, a partir do momento que a cor dos elementos visuais renderizados pelo HTML passaram a ser controladas por CSS, isso passou a ser assimilado também pelos usuários e, hoje (uns 6 anos após a introdução dessa funcionalidade), creio que estes já estejam acostumados com essa nova característica da variação de cores, lembrando que mesmo sendo vermelhos eles seguem uma padronização no layout.

  23. Rodrigo Prioron 14 abr 2008 at 12:49 pm

    Russell,

    Acho que você acabou trazendo uma luz bacana para a discussão.

    Vou citar um trecho seu:

    “Como você mesmo me falou uma vez, o público de blog é formador de opinião e dificilmente se influencia esse tipo de usuário com um post. Os comentários estão aí para confirmar sua teoria.”

    Aqui está a maior contradição que vejo na ação. Teoricamente o público mais crítico dos blogs (e dos blogs dos bloggers participantes, sem levar em consideração os paraquedistas) é capaz

    Acho que o planejamento da ação, tendo ciência dessas variáveis poderia: (a) ou ter pegado leve nos “mimos” ou (b) simplesmente não fingir desconhecer essas variáveis.

    Erro é tratar com ironia críticas construtivas à ação que é umas das que considero mais diferenciadas no meio, até o momento.

    Faltou apenas um pouco de carinho no pitch.

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