Rodrigo Prior

Os 7 erros na campanha viral do C4 Pallas

Para encerrar os artigos sobre a campanha viral do C4 Pallas exponho aqui minhas opiniões finais sobre os erros de planejamento/execução que pude perceber.
1-) Plantar falsa notícia em veículos de informação
Em minha opinião, utilizar um espaço destinado a notícias em vez dos locais destinados à publicidade foi o maior erro por parte dos portais, que com ações como essa colocam sob questionamento sua própria credibilidade.

2-) Falta de cuidado ao criar um site para “plantar” a notícia
Sinceramente, essa foi uma da partes que mais me decepcionou em toda ação. deveriam ter mais cuidado e criado um ambiente real. Aliás, um site que tem apenas uma notícia é um tanto quanto questionável…

3-) Registro do Domínio
Ao fazer um simples whois do domínio mundodaastonomia.com, podia-se perceber que o mesmo estava associado à Citroen-Peugeot. Isso poderia ser facilmente contornado registrando em nome de outra entidade ou empresa conivente à ação.

4-) Disseminação massiva através de perfis falsos no Orkut
A notícia foi espalhada em várias comunidades no Orkut com grande número de usuários, mas com um pequeno detalhe. Foram utilizados perfis falsos com nomes de artistas famosos, personalidades e até seres bizarros, mais um importantíssimo detalhe inicial que associou a notícia ao descrédito.

5-) Tentativas de minimizar os erros enquanto a campanha rolava
Sempre dizem que em time que está ganhando não se mexe. O problema é quando você mexe no que está perdendo e consegue piorar mais ainda o placa.
Foi o que aconteceu ao surgirem de forma massiva manifestações contrárias à campanha. Para tentar diminuir o impacto negativo, foi adicionado o texto “Informe Publicitário” ao rodapé do site que exibia a notícia do impacto.

6-) Omissão perante os erros
Já fiz publicações de peças de campanhas dos meus clientes em vários portais da Internet brasileira, inclusive o UOL e o Terra. Fica até chato o UOL citar que a veiculação escapou ao controle interno, visto que o mesmo é rígido e todas as peças passam por ele (inclusive sendo rejeitada caso seu tamanho em KB exceda em poucos bytes o tamanho permitido).

7-) Falta de conhecimento do potencial das Redes Sociais e da Blogsfera
A parte mais forte do “boca a boca” foi utilizada para espalhar a inveracidade do fato, em vez de disseminá-lo como possivelmente real. Prova disso, são as opiniões e discussões de usuários e blogs que em vez de espalhar a falsa notícia, focaram sua atenção sob os aspectos éticos e negativos da mesma.

Lembrando que este é um blog Democrático, onde a opinião dos usuários é sempre muito bem vinda.

12 comentários em “Os 7 erros na campanha viral do C4 Pallas”

  1. João Paulo Fechine Setteon 12 jun 2007 at 3:00 pm

    Concordo com todos os sete pontos!
    Esse seu acompanhamento sobre a campanha foi bem interessante e instrutivo… parabéns pelo empenho.
    Só mais uma coisa, meus pêsames pelos danos causados pelo asteróide…

  2. Claudionoron 12 jun 2007 at 3:02 pm

    Em 1938 Orson Welles produziu uma transmissão radiofônica intitulada A Guerra dos Mundos, adaptação da obra homônima de Herbert George Wells e que ficou famosa mundialmente por provocar pânico nos ouvintes, que imaginavam estar enfrentando uma invasão de extraterrestres.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Orson_Welles

    Rodrigo

  3. Maristela Alveson 12 jun 2007 at 3:21 pm

    Caro Rodrigo, achei bastante interessante sua análise sobre o “Pallasgate” e vou citá-la, com os créditos devidos, é claro, em uma matéria que estou fazendo para meu portal JumpExec, especializado no mercado de negócios digitais.

  4. Rodrigo Lyrioon 12 jun 2007 at 3:30 pm

    Campanhas virais são interessantes, já tivemos bons exemplos. Mas nesse caso valeu o sentido que normamente se aplica a um vírus, de uma coisa ruim, que causa doenças. Acho que a Citröen (ou pelo menos a agência de publicidade que criou a campanha) vai ficar de cama um bom tempo, se depender da blogesfera.

  5. Rodrigo Prioron 12 jun 2007 at 10:26 pm

    Caro Luis,

    Em relação a “falar pela Blogsfera” não se trata de uma conclusão, apenas de um simples acompanhamento do que está rolando. Você mesmo pode fazer uma busca em mecanismos indexadores de posts de blogs, como por exemplo o Technorati.

    Sobre soluções para os 7 erros apontados, você pode dar uma consultada nos artigos anteriores do Blog. Muitos deles tratam de assuntos pertinentes a SEO, Posicionamento online de Marcas e Blogs Corporativos. Caso você possa contribuir com algumas informações e opiniões, posso até criar um artigo sobre isso (embora como escrevi no último post sobre o assunto, a idéia é não se estender e escrever mais posts a respeito)

    Em relação ao site da empresa, estamos passando por algumas reformulações e adaptação do antigo conteúdo para o padrão tableless, em breve você poderá acessá-lo e obter as informações que precisa.

    Caso tenha urgência, pode entrar em contato conosco através de nosso endereço de e-mail.

    Abraços,
    Rodrigo.

  6. Ivyon 12 jun 2007 at 10:53 pm

    Rodrigo, seu artigo sobre “os Sete erros” está muito bom mesmo. Vê-se que você argumenta de forma pertinente e verossímia. Estudo muito esses assuntos e o que você declara em seu artigo está mais que correto. Quem não entende, só precisa perder um pouquinho de tempo pesquisando e vai encontrar muita informação bacana. Congratulations Rodrigo. E quem não entendeu, dá uma “garimpada” melhor na net, pois garanto q entenderá.

  7. victoron 13 jun 2007 at 11:05 am

    Rodrigo, ótima cobertura sobre o case Palla. Muito bom, está de parabéns!
    Agora o que não entendi nos comentários é aonde o Luís quer chegar criando esta polêmica. Ele seria um dos criadores da campanha? hehehe

    um grande abraço.

  8. Tupac Amaru Shakuron 13 jun 2007 at 11:53 am

    A Arte da Guerra.

    Faça o inimigo legislar em sua causa, ou seja, voce com seu blog somente aumenta o BUZZ do PALLAS, de Guerrilha voce nao entende muito hein?!?!
    Uma pena a censura do meu comment, lamentavel como o sue Blog….

  9. Rodrigo Prioron 13 jun 2007 at 12:05 pm

    Querido 2Pac,

    Acho que você não entendeu mesmo o propósito do blog que é discutir o que acontece no mercado frente às novas tendências na comunicação digital. Onde iremos parar se todos os veículos de comunicação passarem a disponibilizar conteúdo publicitário no lugar onde deveriam exibir notícias?

    Alimentar buzz ou não torna-se inevitável quando se fala de qualquer coisa. Importante é expressar suas opiniões e abrir espaço para um debate inteligente.

    Abraços,
    Rodrigo.

  10. João Pauloon 13 jun 2007 at 9:11 pm

    Muito bom!

  11. Hugoon 13 jun 2007 at 9:17 pm

    Excelente. Tomei a liberdade de citá-lo no blog “Tá difícil…” (www.tadificil.com.br) em um artigo sobre esse tema.

  12. Williamon 14 jun 2007 at 9:30 am

    Caro Rodrigo,
    Legal sua atitude em se debruçar sobre o tema. Mas não é à toa que jornalistas e publicitários costumam arrancar penas uns dos outros (e uma pena que os segundos ganhem tão mais que os primeiros). Considerei sua visão como meramente: “sete defeitos que não fizeram a campanha virar um buzz de sucesso”. Você simplesmente ignorou o fato de que o brilhante marketeiro que teve esta idéia tirou proveito de um formato noticioso para enganar pessoas. Isso é moralmente incorreto. Há gente ligando para as redações dos portais para saber se é verdade ou não.
    Pena que o CONAR é fraco. Caberia punição à agência. Uma OAB caçaria o título de um cidadão como este. Usar um fato que pode gerar tamanha comoção pública pode ser brilhante para um artista como Orson Welles. Mas para um publicitário que tirou um diploma de COMUNICAÇÃO SOCIAL… isto é crime.

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